Documento técnico · citável
Metodologia do mapa de hosting capacity
Estimativa pública, honesta e auditável de capacidade remanescente de geração distribuída por alimentador — a partir da BDGD da ANEEL. Complementa mapas oficiais; não os substitui e não é parecer de acesso.
Fonte de calibração: campanha BDGD → HC (2026-07-23). Atualizado em 23/07/2026.
O que é
Uma estimativa de capacidade remanescente de geração distribuída (GD / MMGD) por alimentador de média tensão, calculada só com a BDGD pública da ANEEL. O número publicado no mapa é o teto térmico menos a GD já conectada naquele alimentador.
Não é parecer de acesso oficial. A capacidade real depende de critérios operativos da distribuidora (proteção, carga mínima, contingência N-1, fila de pedidos) que não estão no dado público. Trate o mapa como pré-parecer / screening.
A regra
Por alimentador (camada CTMT), o teto térmico bruto é:
HCbruto = k · √3 · V · CNOMmin(tronco) / 1000em MW, com V em kV e CNOM em A
A capacidade remanescente publicada é HC = max(0, HCbruto − GDexistente).
- k — fator de utilização
- Fração da ampacidade nominal que o alimentador “aceita” na prática. Publicamos uma banda com k ∈ {0,41; 0,66; 1,05}: P25 / derating clássico / P75 da variância operativa observada no gabarito Celesc (derating invertido nos trechos-gargalo). A amplitude ~2,5× (0,41→1,05) comunica o espalhamento real do mapa oficial — não é intervalo inventado.
- V — tensão nominal
- Lida do domínio TTEN via CTMT.TEN_NOM: 49 → 13,8 kV; 62 → 23 kV; 72 → 34,5 kV. Não fixamos 13,8 kV para todos.
- CNOM_min (tronco)
- Menor ampacidade nominal (SEGCON.CNOM) entre os segmentos SSDMT do tronco: caminho da subestação (PAC_INI) ao nó mais distante (soma de comprimentos) no grafo SSDMT ∪ chaves UNSEMT fechadas. Assim o mínimo não é puxado por ramais laterais fora do caminho principal.
- GD existente
- Soma de POT_INST de UGBT + UGMT ativos (SIT_ATIV=AT) do alimentador, em MW — subtraída do bruto, com piso em zero.
- Ponto central e bandeira
- O ponto hc_central usa k = 0,66 (derating clássico). Flag altasó com GD < 0,5 MW, tronco < 15 km e sem fluxo reverso aparente; caso contrário baixa — leia a banda como ordem de grandeza.
Validação
A única distribuidora com gabarito público comparável é a Celesc (hosting-capacity.celesc.com.br). Amostra: 72 alimentadores / 13 subestações. Métrica principal: a banda [hc_low, hc_high] contém o valor oficial? (métrica de banda, não de ponto ±20%).
| Recorte | n | Banda contém Celesc | Erro mediano |central − Celesc| |
|---|---|---|---|
| Amostra completa | 72 | 27,8% (20/72) | 100% |
| Só HC Celesc > 0 | 50 | 38% (19/50) | ~73% |
| HC Celesc ≤ 0 (fluxo reverso / saturado) | 22 | 4,5% (1/22) | — |
Seja honesto: a regra não reproduz o mapa oficial. Alargar a banda à variância observada mais que dobra a cobertura frente a um chute clássico k ∈ {0,50; 0,80} (12,5% → 27,8%), mas a Celesc segue mais conservadora e/ou usa critérios ausentes da BDGD.
Por que não clona o mapa oficial
Tentamos fechar o gap em dez fases de calibração. Em resumo, estas linhas — todas com dado 100% público — falharam em bater ±20% de forma útil contra o gabarito Celesc:
- Física em escala (sonda pandapower na amostra): 11/48 dentro de ±20% — pior que a melhor regra tabular (18/49).
- GD atualizada com registro ANEEL MMGD (hipótese “dado velho”): placar inalterado (11/48). Gap mediano município×município ~1,2× — não 2–5×.
- Ampacidade por condutor (derating invertido do GeoJSON Celesc): física+derating 8/48; não supera o platô tabular.
- ML sobre ~43 mil trechos rotulados (gradient boosting, GroupKFold por alimentador): 8/52 dentro de ±20% no HC mínimo do alimentador.
Motivo estrutural: a variância do número oficial vem de critérios operativos — proteção, carga mínima, topologia interna, N-1 — que não estão em dado público. O fator de utilização efetivo da Celesc varia ~2,5× entre alimentadores (0,41–1,05). Sem nota técnica pública da fórmula de produção, clonar pixel a pixel é inviável só com BDGD.
Limitações declaradas
- A BDGD é um snapshot anual — não acompanha conexões do dia a dia.
- Não modelamos a fila de pedidos à frente do parecer (capacidade já “reservada” na distribuidora).
- Artefatos térmicos com HC central > 15 MW (~0,6% dos pontos) — gargalo térmico sem restrição a montante modelada — são marcados não-conclusivo (cinza; o popup não exibe o número cru).
- Alimentadores com fluxo reverso publicado no gabarito (HC oficial ≤ 0) saturam a banda: a regra térmica sozinha quase não os captura.
Fontes
- BDGD — ANEEL Dados Abertos — base georreferenciada das distribuidoras.
- PRODIST (ANEEL) — Procedimentos de Distribuição; Módulo 10 trata da BDGD / dados de rede.
- Mapas oficiais (nós complementamos, não substituímos): Celesc · CEMIG.
- Compromisso geral da casa: Metodologia e manifesto MWatt.
Reprodutibilidade
O método é aberto e determinístico: mesma GDB BDGD + mesma regra → mesmo HC, banda e flag. Não há sorteio, modelo opaco nem ajuste manual por alimentador. Qualquer um com o arquivo público da ANEEL pode recalcular o teto térmico e auditar o mapa.
Perguntas frequentes
Como é calculada a capacidade de hosting?
Por alimentador (CTMT), estimamos o teto térmico bruto HC = k·√3·V·CNOM_min(tronco), com V do domínio TTEN e CNOM_min no menor condutor do tronco (caminho da subestação ao nó mais distante). Publicamos a capacidade remanescente após subtrair a GD já instalada (UGBT+UGMT ativos). A banda usa k ∈ {0,41; 0,66; 1,05}.
É o mesmo que o parecer de acesso?
Não. Este mapa é uma estimativa reprodutível a partir de dado público (BDGD). O parecer de acesso oficial é ato da distribuidora, com critérios operativos, fila de pedidos e estudos que não estão na BDGD. Use o mapa como pré-parecer / screening — nunca como substituto.
Por que difere do mapa da distribuidora?
Só a Celesc publica gabarito comparável. Nossa banda contém o valor oficial em 38% dos alimentadores com HC>0; o erro mediano do ponto central é ~73%. Critérios de proteção, carga mínima e N-1 não estão em dado público — o fator de utilização efetivo da Celesc varia ~2,5× entre alimentadores (0,41–1,05).
O método é reproduzível?
Sim. A regra é aberta, determinística e aplica a mesma fórmula a qualquer GDB BDGD (TTEN + SEGCON + tronco SSDMT ∪ chaves fechadas + GD ativa). Mesma entrada → mesmo resultado.